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hello.

jornalista, escritora e viciada em café.
@neilabahia

O dia da minha morte



Ainda sinto a lâmina fria a me perfurar as entranhas, sedenta de sangue.

Uma faca afiada sorrindo desdentada. Era isso o que me esperava.

Se pudesse imaginar não abriria a porta para aquele que me mataria. Agora, estou sem vida.

Olho para meu corpo perfurado. Tento entender como pude ser tão vulnerável.

Esforço-me para lembrar. Recordo-me que estava em casa, pronta para sair quando ele me ligou, com aquela voz sorrateira, uma voz de assassino.

Quero ir com você, ele disse. Eu o amava e disse sim.

Era feriado e a cidade estava cheia. As ruas escorregadias da chuva pareciam me dizer algo que eu não compreendia.

Aquele seria o último dia que eu passaria ali, agora entendo.

Pisava firme, decidida, estava confiante.

Confiante que ele me amava também e que tudo voltaria a ser como antes.

Ele pediu uma cerveja.
Os assassinos sempre bebem cerveja.

Vestia preto. O cheiro que exalava de sua pele era diferente do que eu estava acostumada, mas eu gostava de sentir.

Passamos numa farmácia e fomos para minha casa.

Tudo parecia bem, continuávamos a beber cerveja e ele me sorria ternamente.

Fazia tempo que ele não ia à minha casa. Tudo está como antes, pensei.

Entramos no meu quarto, mas ele não tirou minha roupa como de costume. Não sorria mais.
Perguntei o que teria mudado, mas fiquei sem reposta.

Ele apenas me olhava e nada dizia. De repente, a faca.

Aquela faca sempre esteve lá.
Como não percebi antes?

Olhava enquanto ele cravava a lâmina, tão fria quanto o seu beijo.
Assinei a minha sentença quando o conheci.

Não poderia mais fugir. Estava morta, agora e para sempre.
E ele me disse adeus.



Comentários

  1. precisando de desenhos pra os posts fala comigo,,

    se achar algo na Pig, pode usar!!!

    jundass

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  2. Texto compreendido. O exagero é típico do escritor.

    Parabéns mais uma vez pela inteligência.

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  3. E depois ele te disse oi. Daí vc ressuscitou;

    Pronto, um final feliz.

    Nada de morbidez. Isto é coisa dos românticos. Tu és pós-contemporânea.

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  4. E depois ele te disse oi. Daí vc ressuscitou;

    Pronto, um final feliz.

    Nada de morbidez. Isto é coisa dos românticos. Tu és pós-contemporânea.

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  5. olá
    acho que vc escreve muito bem, mas que pena que está escrevendo pouco
    gostaria de ver mais textos seus aqui
    linkei teu blog no meu
    sinceramente, acho que vc tem forte talento pra literatura
    grande abraço
    sucesso sempre

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  6. agora que to vendo que mora em salvador, que legal
    meu sonho sempre foi fazer jornalismo, mas que pena, n�o deu at� agora...por enquanto fico fazendo de conta....
    abra�o

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